[Livro] 100 Dias Entre Céu e Mar


Eu jamais imagina, quando criança ou no início de minha juventude, sair por aí me aventurando em lugares que eu não conhecia – ou ansiava conhecer – muito menos sozinho.

Comecei trabalhar muito jovem, aos 12 anos, e talvez por meu tempo se dividir entre meu trabalho e o colégio, mirando sempre passar no vestibular, acaba nem pensando nisso. À época, se fosse aprovado num boa universidade já seria algo de uma emoção tremenda… o que acabou, por fim, acontecendo em 2001, logo após o término do segundo grau.

Com o fim daquela pressão que só os vestibulandos conhecem, cheguei na universidade imaginado tempos melhores e, claro, tempo livre para ler uma lista de livros que tinha em mente.

E exatamente neste mês de agosto de 2016 completam se 10 anos que li um dos livros que mais me marcou dali em diante, em termos de despertar minha curiosidade sobre o mundo.

Foi em 5 de agosto de 2006 quando li pela primeira vez “cem-dias-entre-ceu-e-marCem Dias Entre Céu e Mar” de Amyr Klink… e foi assim mesmo, numa sentada só como dizem.

Na FENIUB de 2006, evento promovido à época pela Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (ACIUB), um dos palestrantes mais aguardados era um certo Amyr Klink, até então pouco conhecido por mim.

E desde aquela época sou fã deste tipo de evento. Paguei a inscrição para os 3 dias de feira – e lembro bem, a inscrição me custou um 4 semanas sem o costumeiro pão de queijo com cafezinho na cantina de manhã, antes das aulas… mas valeu demais a pena!

O navegador contou durante sua palestra de mais de uma hora, em especial, sobre como planejava suas navegações (e põe planejamento nisso!) e como, assim como numa empresa, tentava minimizar imprevistos e resolver cada problema.

E uma frase dita por Amyr Klink naquele centro de convenções nunca mais saiu de minha memória:

“O pior naufrágio é não partir.”

Foram, honestamente, 74 minutos mágicos.

Numa de suas histórias mais, a meu ver, impressionantes que ele relatou naquele dia nenhuma me marcou mais que a travessia que ele fez de todo o Oceano Atlântico, da Costa Africana à Costa Brasileira, sozinho num barco a remo… história esta contada por ele no livro “Cem Dias Entre Ceú e Mar“.

As fotos eram de tirar o fôlego…

Crédito da imagem: www.amyrklink.com.br

Créditos da imagem: www.amyrklink.com.br

Crédito da imagem: www.amyrklink.com.br

Créditos da imagem: www.amyrklink.com.br

Crédito da imagem: www.amyrklink.com.br

Créditos da imagem: www.amyrklink.com.br

E pra mim o mais mágico de tudo era que o cara esta ali! Diante de nós! O cara passa 100 dias entre céu e mar, literalmente, com água por todos os lados… num barquinho projetado para virar de cambalhota durantes as tempestades… e, agora, estava simplesmente na nossa frente nos incentivando, de certa forma, a também “partimos”…

Consegue entender agora porque foi difícil largar o livro? Pouco tempo depois, já havia todos os livros de Klink. Sem dúvida, uma leitura sensacional!

Além de ter uma escrita super agradável, ao ler você se sente naquele pequeno barco no meio daquele imenso oceano também. Remando.

Créditos: mundogeografico.com.br

Créditos: mundogeografico.com.br

E outro ponto que chama a atenção nos livros de Klink, e o que talvez possa nos ensinar muitas coisas além do relato de suas navegações, é a atenção que ele dá ao planejamento de suas viagens desde a construção do barco. É algo surpreendente.

Pra você sentir um gostinho do que eu estou dizendo, segue abaixo alguns pequenos trechos do livro “Cem Dias Entre Céu e Mar“.

TRANSFORMANDO DISTÂNCIA EM TEMPO

“Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distância em tempo.

Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mau tempo. A transformar medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.

E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer.”

O MAIOR MEDO

“Se estava com medo? Mais que a espuma das ondas, estava branco, completamente branco de medo. Mas, ao me encontrar afinal só, só e independente, senti uma súbita calma.

Era preciso começar a trabalhar rápido, deixar a África para trás, e era exatamente o que eu estava fazendo. 

Era preciso vencer o medo; e o grande medo, meu maior medo na viagem, eu vencera ali, naquele mesmo instante, em meio à desordem dos elementos e à bagunça daquela situação. 

Era o medo de nunca partir. Sem dúvida, este foi o maior risco que corri: não partir.”

Créditos da imagem:

Créditos da imagem: www.amyrklink.com.br

PLANEJAMENTO

“Confiava por completo em meu projeto e não estava disposto a me lançar em cegas aventuras. Mas não poder pelo menos tentar teria sido muito triste.

Não pretendia desafiar o Atlântico – a natureza é infinitamente mais forte que o homem – mas sim conhecer seus segredos, de um lado ao outro.

Para isso era preciso conviver com os caprichos do mar e deles saber tirar proveito. E eu sabia como.”

TUDO, MENOS SOLIDÃO!

“Passados dois meses no mar, de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão.

Um estado interior que não depende da distância nem do isolamento, um vazio que invade as pessoas e que a simples companhia ou presença humana não podem preencher, solidão foi a única coisa que eu não senti, depois de partir.

Nunca. Em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias.

Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.”

SOBRE TEMPO E FELICIDADE

“A imensidão do mar tornava minúsculos os meus maiores problemas e gigantes as menores alegrias. Ensinou-me a dar valor à vida que eu levava e a pequenas coisas que às vezes passavam despercebidas.”

“Ao se caminhar para um objetivo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam fundamentais.

Uma hora perdida é uma hora perdida, e quando não se tem um rumo definido é muito fácil perder horas, dias ou anos, sem se dar conta disso.”

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Se gostou dos trechos acima, não se permita deixar de ler o livro na íntegra – e não apenas este, mas todos os outros escritos por Amyr Klink.

Conheça todos os livros de Amyr Klink acessando agora o link: 

www.wesleymendes.com/livros/amyrklink

Desejo a você uma ótima e inspirado leitura! 🙂


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