[Arte da Sedução] Tipo 6 – Coquete


A capacidade de retardar a satisfação é a arte insuperável da sedução – enquanto espera, a vítima se mantém escravizada.

As pessoas Coquetes são os grandes mestres deste jogo, orquestrando um movimento de ir e vir entre a esperança e a frustração. Elas atraem com a promessa de recompensa – a esperança de prazer físico, felicidade, fama por associação, poder -, mas tudo isso é ilusório; não obstante, só faz com que seus alvos as procurem cada vez mais.

Coquetes parecem plenamente auto-suficientes: não precisam de você, parecem dizer, e seu narcisismo tem um ar diabolicamente sedutor.

Você pode querer conquistá-las, mas são elas que dão as cartas.

A estratégia da Coquete é jamais oferecer a satisfação total. Imite a alternância de calor e frieza da Coquete e você manterá o seduzido nos seus calcanhares.

 

O símbolo para o tipo sedutor Coquete é a Sombra. É impossível agarrá-la. Corra atrás da sombra e ela foge de você; vire as costas e ela segue você. É também o lado oculto das pessoas, o que as faz misteriosas.

 

COQUETE FRIA E QUENTE

 

No outono de 1795, Paris foi tomada de uma estranha vertigem. O Reino do Terror que seguira à Revolução Francesa tinha acabado; não se ouvia mais o som da guilhotina.

A cidade deu um suspiro coletivo de alívio e se entregou a festas extravagantes e intermináveis festivais.

O jovem Napoleão Bonaparte, com 26 anos na época, não se interessava por farras. Conquistara para si mesmo a fama de general inteligente e audaz que havia ajudado a sufocar rebeliões nas províncias, mas sua ambição era ilimitada e ele ardia de desejo por novas conquistas.

Assim, quando em outubro daquele mesmo ano a infame viúva de 34 anos Josefina de Beauharnais foi visitá-lo em seu gabinete, ele não pode fazer nada senão ficar confuso.

Josefina era exótica, e tudo nela era lânguido e sensual. (Ela investia na sua procedência estrangeira.)

Por outro lado, a sua reputação era de mulher livre, e o tímido Napoleão acreditava em casamento. Mesmo assim, quando Josefina o convidou para um de seus saraus semanais, ele aceitou.

 

As mulheres Coquetes sabem como agradar; não amar, por isso os homens as amam tanto.

(Pierre Marivaux)

 

No sarau ele se sentiu totalmente fora do seu elemento. Estavam ali todos os grandes escritores e intelectuais da cidade, assim como um ou outro nobre que havia sobrevivido – a própria Josefina era viscondessa e escapara por pouco da guilhotina.

As mulheres eram estonteantes, algumas mais belas do que a anfitriã, mas todos os homens se reuniam em torno de Josefina, atraídos por sua graciosa presença e modos de rainha.

Várias vezes ela deixou os homens para trás e foi ficar ao lado de Napoleão; nada poderia ter enaltecido mais o seu ego inseguro do que tamanha atenção.

Ele passou a visitá-la. Às vezes ela o ignorava, e ele ia embora num acesso de raiva. Mas, no dia seguinte, chegava uma carta apaixonada de Josefina, e ele corria para vê-la.

Não demorou muito e ele estava quase o tempo todo com ela.

 

 

As ocasionais demonstrações de tristeza de Josefina, seus acessos de raiva ou de lágrimas, só o deixavam mais apegado a ela. Em março de 1796, menos de um ano após se conhecerem, Napoleão casou-se com Josefina.

Apenas dois dias após o casamento, Napoleão partiu para liderar uma campanha no Norte da Itália contra os austríacos. “Você é o objeto constante de meus pensamentos”, escreveu ele do estrangeiro para a mulher. “Minha imaginação se exaure pensando no que está fazendo.”

Os seus generais o viam distraído: ele saía das reuniões mais cedo, passava horas escrevendo cartas, ou com os olhos pregados numa miniatura de Josefina que usava pendurada no pescoço.

A insuportável distância que os separava e uma ligeira frieza que agora percebia nela o tinha levado a este estado – ela não escrevia com frequência, e em suas cartas faltava paixão; e também não fora se encontrar com ele na Itália, como haviam planejado.

Ele precisava acabar logo com esta guerra, para poder voltar para o lado dela. Combatendo o inimigo com inusitado zelo, ele começou a cometer erros. “Viver por Josefina!”, ele lhe escreveu. “Trabalho para chegar perto de você; eu me mato para alcançar você.”

Que situação para uma mulher: ser a força motriz por trás de uma marcha triunfante de um exército inteiro!

 

 

Meses se passaram com Napoleão implorando para que Josefina fosse para a Itália, e ela sempre encontrava uma desculpa para não ir. Mas, finalmente, ela concordou e partiu de Paris para Brescia, onde ele estava aquartelado com sua companhia.

Por um infeliz azar – ou coincidência – um quase encontro cara a cara com o inimigo no caminho, forçou Josefina a voltar para Milão.Ao chegar em Brescia e descobrir que ela ainda não tinha chegado, ele culpou o inimigo general Wurmser e ainda jurou vingança… por atrasar o encontro de Napoleão com sua esposa Josefina.

Nos meses seguintes, ele parecia perseguir dois alvos ao mesmo tempo e com igual energia: Wurmser e Josefina!

Afinal, sua esposa nunca estava onde deveria estar.

“Chego a Milão, corro para sua casa, tendo deixado tudo de lado para agarrá-la em meus braços. Você não está lá!” Napoleão ficava zangado e cheio de ciúmes, mas, quando finalmente alcançava Josefina, a mínima coisa que ela lhe concedesse derretia o seu coração.

Ele dava longos passeios com ela numa carruagem escura, enquanto seus generais se enfureciam – reuniões deixavam de seu feitas, improvisavam-se estratégias e ordens de guerra.

“Jamais”, escreveu ele mais tarde, “uma mulher teve tão completo domínio do coração alheio.” Mas o tempo que estiveram juntos foi muito curto.

Durante uma campanha que durou quase um ano, Napoleão passou apenas 15 dias com sua Josefina.

Napoleão depois ouviu boatos de que Josefina tinha um amante enquanto ele estava na Itália. Seus sentimentos por ela esfriaram, ele mesmo teve inúmeras amantes.

Contudo, Josefina nunca se preocupou realmente com esta ameaça ao seu poder sobre o marido; algumas lágrimas, um pouco de teatro, uma leve frieza de sua parte, e ele continuava seu escravo.

Em 1804, ele a coroou imperatriz, e se ela lhe tivesse dado um filho teria sido imperatriz até o fim.

Quando Napoleão jazia no seu leito de morte, sua última palavra foi “Josefina”.

 

 

A Sedutora Escravidão das Emoções

 

 Durante a Revolução Francesa, por pouco Josefina não perdeu a cabeça na guilhotina.

A experiência a deixou sem ilusões e com dois objetivos em mente: viver uma Vida de prazeres e encontrar o homem que puder lhe proporcionar isso.

Ela colocou os olhos em Napoleão desde o início. Ele era jovem, e tinha um futuro brilhante. Sob a calma exterior, Josefina sentiu, ele era muito emotivo e agressivo, mas isso não a intimidou – só revelava que ele era fraco e inseguro.

Ia ser fácil escravizá-lo. Primeiro, Josefina de adaptou aos seus humores, encantou-o com sua graça feminina, excitou-o com sua aparência e modos. Ele quis possuí-la.

E, uma vez despertado o desejo dele, estava nas mãos dela adiar a sua satisfação, recuando diante dele, frustrando-o. De fato, a tortura da caça deu a Napoleão um prazer masoquista.

Ele desejava ardentemente subjugar o seu espírito independente, como se ela fosse um inimigo no campo de batalha.

 

 

As pessoas são inerentemente perversas. A conquista fácil vale menos do que a difícil; só nos excita realmente o que nos é negado, o que não podemos possuir por completo.

O seu maior poder na sedução é a sua habilidade para virar as costas, fazer os outros virem atrás de você, retardando a satisfação deles.

A maioria das pessoas calcula mal e se entrega rápido demais, por medo de que a outra perca o interesse ou por achar que, cedendo ao que o outro quer, a pessoa que dá fica com um certo poder. A verdade é o contrário: depois de satisfazer alguém, você não tem mais a iniciativa, e se expõe à possibilidade de que ela ou ele perca o interesse quando lhe der na veneta.

Lembre-se: a vaidade é importantíssima no amor!

Deixe os seus alvos com medo de que você possa se afastar, que talvez não esteja realmente interessado, e você despertará neles a sua insegurança inata, o medo de que por conhecê-los melhor eles se tornem menos excitantes para você.

Estas inseguranças são devastadoras.

Em seguida, depois de tê-los deixado inseguros a respeito de você e de si mesmos, reacenda as suas esperanças, fazendo-os se sentirem desejados de novo.

Frio e quente, frio e quente – esse coquetismo é perversamente agradável, aumentando o interesse e mantendo a iniciativa do seu lado. Não se desconcerte jamais com a raiva de seu alvo; é um indício certo de escrevidão.

 

Uma ausência, a recusa a um convite para jantar, uma aspereza inconsciente, não intencional, funcionam melhor do que todos os cosméticos e roupas elegantes do mundo.

(Marcel Proust)

 

COQUETE FRIA

 

Em 1952, o escritor Truman Capote, recente sucesso nos círculos sociais e literários, começou a receber uma enxurrada quase diária de cartas de um jovem fã chamado Andy Warhol.

Ilustrador de estilistas de sapatos, revistas de moda e coisas do tipo, Warhol fazia desenhos bonitos, estilizados, alguns dos quais mandou para Capote, esperando que o autor os incluísse em um de seus livros. Capote não respondeu.

Um dele ele chegou em casa e encontrou Warhol conversando com sua mãe, com quem o escritor morava. E Warhol passou a telefonar todos os dias.

Finalmente, Capote não aguentou mais: “Ele parecia dessas pessoas desesperadas com que você tem certeza de que nada vai acontecer. Um caso perdido, um perdedor nato”, disse o escritor mais tarde.

 

 

Dez anos depois, Andy Warhol, aspirante a artista, fez a sua primeira exposição solo na Stable Gallery, em Manhattan. Sobre as paredes havia uma série de serigrafias inspiradas nas latas de sopa Campbell e na garrafa de Coca-Cola.

Na inauguração e na festa que se seguiu, Warhol ficou de lado, com o olhar parado e falando muito pouco.

Que contraste ele fazia com a geração mais velha de artistas, os expressionistas abstratos – na maior parte beberrões mulherengos, falando alto e agressivos, fanfarrões que tinham dominado o cenário nos últimos 15 anos.

E que mudança do Warhol que tinha importunado Capote, marchands e patrocinadores também. A exposição foi um enorme sucesso, definindo Warhol como uma das figuras importantes de um novo movimento, a pop art.

Em 1963, Warhol alugou um grande espaço no alto de um prédio em Manhattan a que chamou de Factory, e que logo se tornou o centro de um grande séquito – atores, atrizes, aspirantes a artistas e sempre algum penetra.

Ali, de noite especialmente, Warhol ficava andando de um lado para o outro ou se encostava num canto.

As pessoas se reuniam à sua volta, brigavam por sua atenção, faziam-lhe perguntas, e ele respondia, no seu jeito descomprometido. Mas ninguém conseguia se aproximar dele, física ou mentalmente; ele não permitia.

Ao mesmo tempo, se ele passasse por você sem lhe dar o costumeiro “Ah, oi”, você ficava arrasado. Ele não tinha notado você.

Cada vez mais interessado na indústria cinematográfica, Warhol colocava seus amigos no elenco de seus filmes. Na verdade, ele lhes oferecia uma espécie de celebridade momentânea (os seus “15 minutos de fama” – era a frase de Warhol).

Em breve as pessoas estavam competindo pelos papéis. Só estar ao lado dele já conferia uma certa celebridade por associação.

 

 

As pessoas mandavam limusines para conduzi-lo às festas que davam; só a presença dele já era o bastante para transformar uma noitada social num cenário – mesmo que ele ficasse quase o tempo todo em silêncio, calado, e saísse cedo.

Em 1967, Warhol foi convidado a dar palestras em várias faculdades. Ele detestava falar, principalmente sobre a sua própria arte: “Quanto menos uma coisa tem a dizer”, achava ele, “mais perfeita ela é”. Mas pagavam bem, e Warhol nunca soube dizer não.

Sua solução foi simples: chamou um ator, para se passar por ele na maioria das palavras. Com um pouco de treino, pó de arroz e spray prateado nos cabelos, a personificação funcionou.

Warhol pode ter sido um ícone, mas ninguém o conhecia realmente e, como ele estava quase sempre de óculos escuros, até o seu rosto era meio desconhecido.

As plateias das palestras ficavam distantes o bastante para se sentirem excitadas com a ideia da sua presença, e ninguém se aproximou o suficiente para perceber a fraude. Ele continuou misterioso.

 

O egoísmo é uma das qualidades capazes de inspirar amor.

(Nathaniel Hawthorne)

 

Uma  Frieza que Seduz

 

Desde jovem, Andy Warhol vivia atormentado por emoções conflitantes; ele queria desesperadamente a fama, mas era por natureza passivo e tímido.

“Sempre vivi em conflito”, disse ele mais tarde, “porque sou tímido, mas gosto de ocupar um bocado de espaço pessoal. Mamãe sempre disse: ‘Não seja insistente, mas deixe que todos saibam que você está por perto.'”

No início, Warhol tentou ser agressivo, esforçando-se para agradar. Não funcionou.

Depois de dez anos em vão, ele parou de tentar e cedeu à sua própria passividade – e aí então descobriu o poder que tem o retraimento.

O mundo está cheio de gente que tenta se impor a todo custo; gente que se impõe até mesmo agressivamente. Elas podem obter vitórias temporárias – é verdade -, mas, quanto mais elas ficarem por perto, mais as pessoas desejarão confundi-las.

Elas não deixam espaço ao seu redor, e sem espaço não pode haver sedução.

Coquetes Frios criam espaço permanecendo ariscos e fazendo os outros correrem atrás deles.

 

 

A frieza sugere uma autoconfiança confortável cuja proximidade é excitante, mesmo que não exista realmente; o silêncio dessas pessoas faz você querer falar.

A auto-suficiência delas, a sua impressão de não precisarem de ninguém, só nos faz ter vontade de fazer coisas para elas, ansiosos pelo mais leve sinal de reconhecimento e preferência.

Coquetes Frios deixam qualquer um doido – não dizem sem nem não, não permitem aproximações –, mas quase sempre voltamos a procurá-los, viciados na frieza que projetam.

Lembre-se: seduzir é atrair pessoas, fazê-las desejar perseguir você e possuí-lo. Pareça distante e elas ficarão loucas para conquistar a sua preferência.

Seres humanos, como a natureza, odeiam o vácuo, e a distância emocional e o silêncio fazem com que eles se esforcem para preencher o espaço vazio com suas palavras e calor.

 

 

 

CHAVES PARA O PERSONAGEM

 

Segundo o conceito popular, Coquetes são consumados implicantes, especialistas em despertar desejo com uma aparência provocante ou uma atitude atraente.

Mas a verdadeira essência dos Coquetes está na sua habilidade para prender as pessoas emocionalmente, e conservar as vítimas em suas garras até muito tempo depois das primeiras cócegas de desejo. Esta é a habilidade que os coloca nas fileiras dos sedutores mais eficazes.

O seu sucesso pode parecer um tanto estranho, visto serem criaturas essencialmente frias e distantes; se um dia você conhecer bem uma dessas pessoas, vai sentir um núcleo interior de desapego e narcisismo.

Parece lógico que ao tomar consciência desta característica você perceba as manipulações do Coquete e perca o interesse, mas o que vemos quase sempre é o oposto.

Depois de anos convivendo com a coqueteria de Josefina, Napoleão sabia muito bem o quanto ela era manipuladora. No entanto, este conquistador de reinados, este homem cético e cínico, não conseguia abandoná-la.

 

 

Para compreender o poder peculiar do Coquete, é preciso primeiro compreender uma propriedade importantíssima do amor e do desejo: quanto mais óbvia for a sua perseguição, maior a probabilidade de você estar afugentando sua presa.

Excesso de atenção pode ser interessante por uns tempos, mas logo começa a ficar enjoativo e finalmente se torna claustrofóbico e assustador.

É sinal de fraqueza e carência, uma combinação nada sedutora. Quantas vezes cometemos este engano, achando que a nossa presença persistente garante alguma coisa.

Mas os Coquetes têm uma compreensão inerente desta dinâmica. Mestres do retraimento seletivo, eles sugerem frieza, ausentando-se às vezes para deixar a vítima vacilante, surpresa, intrigada.

O retraimento os torna misteriosos, e eles crescem na nossa imaginação. (A familiaridade, por outro lado, mina a imagem que construímos.)

Um surto de distanciamento compromete ainda mais as emoções; em vez de zangados, ficamos inseguros. Quem sabe, eles não gostam realmente de nós, talvez tenham perdido o interesse.

Com a nossa vaidade em jogo, sucumbimos ao Coquete só para provar que ainda somos desejáveis.

Lembre-se: a essência do Coquete não está na implicância ou na tentação, mas no passo atrás subsequente, no retraimento emocional. Esta é a chave do desejo que escraviza.

 

 

Para adotar o poder de um Coquete, é preciso compreender mais uma qualidade: o narcisismo.

Sigmund Freud caracterizou a “mulher narcisista” (quase sempre obcecada com a sua aparência) como o tipo que mais afeta os homens.

Na infância, ele explica, passamos por uma fase narcisista que é imensamente agradável. Felizes na nossa auto-suficiência e concentração, quase não precisamos de ninguém para satisfazer nossas necessidades psíquicas.

Depois, aos poucos, somos socializados e aprendemos a prestar atenção nos outros – mas, no íntimo, temos saudades daquela infância feliz.

A mulher narcisista faz o homem lembrar deste período da sua Vida, e o deixa com inveja. Talvez, em contato com ela, ele recupere esse sentimento de auto-suficiência.

O homem também se sente desafiado pela independência da mulher coquete – ele quer ser aquele que a tornará dependente, que vai estourar a sua bolha.

É bem mais provável, entretanto, que ele acabe escrevo dela, dando-lhe incessantes atenções para conquistar o seu amor e fracassando. Porque a mulher narcisista não é emocionalmente carente; ela é auto-suficiente. E isto é extremamente sedutor.

A auto-estima é decisiva na sedução. (A sua atitude para com você mesmo é interpretada de forma  sutil e inconsciente pelas outras pessoas.)

A baixa auto-estima repele, a segurança e auto-suficiência atraem. Quanto menos você parece precisar dos outros, maior a probabilidade de que eles se sintam atraídos por você.

Compreenda como isso é importante em todos os relacionamentos e verá que é mais fácil ocultar a sua carência. Mas não confunda auto-promoção com narcisismo sedutor: falar de si mesmo o tempo todo é eminentemente anti-sedutor, revelando não auto-suficiência mas insegurança.

 

Mulheres [narcisistas] são extremamente fascinantes para os homens.O encanto de uma criança está em grande parte no seu narcisismo, na sua auto-suficiência e inacessibilidade, assim como o encanto de certos animais que parecem não se importar conosco, como os gatos…

É como se lhes invejássemos o poder de conservar um estado mental de felicidade – uma posição de libido incontestável que nós mesmos já abandonamos faz muito tempo.

(Sigmund Freud)

 

O Coquete é tradicionalmente considerado como sendo uma mulher, e sem dúvida a estratégia foi durante séculos uma das poucas armas que as mulheres tinham para atrair e escravizar o desejo de um homem.

 

 

Uma das manobras para frustrar os planos do adversário usada pela Coquete é a retirada dos favores sexuais, e vemos as mulheres usando este artifício ao longo da história.

A rainha Elizabeth I da Inglaterra levou o coquetismo ao extremo, fazendo-se intencionalmente desejada por seus cortesãos, mas sem ir para a cama com nenhum deles.

 

Uma  Estratégia (também) Masculina

 

Por muito tempo, uma ferramenta de poder social das mulheres, o coquetismo foi aos poucos sendo adaptado pelos homens, particularmente os grandes sedutores dos séculos XVII e XVIII que invejavam o poder dessas mulheres.

Um sedutor do século XVII, o duque de Lauzun, era mestre em deixar uma mulher excitada, e depois se mostrar indiferente. As mulheres enlouqueciam por ele.

Hoje, o coquetismo não tem gênero. Num mundo que desencoraja a confrontação direta, a implicância, a frieza e a indiferença seletiva são formas de poder indireto que disfarça com brilhantismo a sua própria agressão.

O Coquete deve antes de tudo ser capaz de excitar o alvo das suas atenções. A atração pode ser sexual, o fascínio da celebridade, o que for necessário.

Ao mesmo tempo, o Coquete envia sinais contrários que estimulam reações contrárias, mergulhando a vítima na confusão. A coqueteria depende de se criar um padrão para manter a outra pessoa insegura. A estratégia é extremamente eficaz.

Tendo experimentado um prazer, queremos repeti-lo; assim o Coquete nos dá prazer, depois o retira.

Os Coquetes não são ciumentos – isso enfraqueceria a sua imagem de fundamental autossuficiência. Mas são mestres em despertar ciúme: prestando atenção a uma terceira pessoa, criando um triângulo de desejo, eles sinalizam às suas vítimas que talvez não estejam interessados.

Esta triangulação é extremamente sedutora, em contextos sociais assim como eróticos.

 

O Coquetismo Político

 

Todas as táticas do Coquete foram adaptadas pelos líderes políticos para deixar o povo apaixonado.

Ao mesmo tempo que excitam as massas, estes líderes permanecem no íntimo indiferentes, o que os mantém no controle. O cientista político Roberto Michels até se referiu a estes políticos como Coquetes Frios.

Napoleão representou o Coquete com os franceses: depois que os enormes sucessos da campanha na Itália o transformaram no herói amado, ele partiu para conquistar o Egito, sabendo que na sua ausência o governo da França se desestabilizaria, o povo desejaria ansioso a sua volta, e esse amor serviria de base para ampliar o seu poder.

Um exemplo bem atual e claro são os meses que antecedem as eleições do Brasil. Raros são os políticos que não usam este período para inaugurar obras públicas, lançar planos contra a fome e a pobreza e, assim, agradar à massa de eleitores.

 

 

Um coquetismo eficiente e que raramente falha: demonstrar um mínimo de preocupação e um vintém de atenção (ainda que na maioria das vezes falso) para nas eleições cair nas graças dos eleitores.

Praticamente todos os líderes políticos são narcisistas inveterados. Em épocas de dificuldades, quando o povo se sente inseguro, o efeito desse coquetismo político é ainda mais forte.

É importante perceber que a coqueteria é extremamente eficaz num grupo, estimulando o ciúme, o amor e a intensa devoção.

(Pare para imaginar o que seriam das religiões sem o poder de Coquetes… Isso mesmo: simplesmente não teriam o poder que tem sobre as massas.)

Se você representa este papel com um grupo, lembre-se de manter uma distância emocional e física. Isto lhe permitirá irir e chorar no comando, projetar auto-suficiência, e com esse distanciamento você poderá tocar nas emoções das pessoas como se fossem teclas de um piano.

 

RISCOS

 

Os Coquetes enfrentam um risco óbvio: eles brincam com emoções voláteis. Sempre que o pêndulo oscila, amor vira ódio.

Portanto, eles devem orquestrar tudo com muito cuidado. Suas ausências não devem ser muito prolongadas, seus acessos de raiva devem logo ser acompanhados de sorrisos.

Os Coquetes conseguem manter suas vítimas emocionalmente presas por muito tempo, mas, com o passar de meses ou anos, a dinâmica começa a ficar cansativa.

Senso de oportunidade é tudo.

O Coquete Frio é capaz de incitar um ódio profundo. Valerie Solanas foi uma jovem enfeitiçada por Andy Warhol. Ela havia escrito uma peça que ele achou divertida, e tinha ficado com a impressão de que ele talvez a transformasse num filme.

Ela achou que ia virar celebridade. Mas também estava envolvida com o movimento feminista e, quando percebeu que Warhol estava brincando com ele, direcionou para ele a sua crescente raiva dos homens e lhe deu três tiros de revolver, quase o matando.

Coquetes Frios podem despertar sentimentos não tanto eróticos como intelectuais, menos paixão e mais fascínio.

O ódio que eles geram é ainda mais traiçoeiro e perigoso por não estar contrabalançado por um amor profundo. Eles precisam compreender os limites do jogo, e os efeitos perturbadores que podem ter sobre pessoas menos equilibradas.

 

 

Saiba mais sobre os outros Tipos Sedutores através dos endereços abaixo:

[Arte da Sedução] Tipo 1 – Sereia

[Arte da Sedução] Tipo 2 – Libertino

[Arte da Sedução] Tipo 3 – Amante Ideal

[Arte da Sedução] Tipo 4 – Dândi

[Arte da Sedução] Tipo 5 – Natural


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *