[Arte da Sedução] Tipo 1 – Sereia


Em geral o homem se sente secretamente oprimido pelo papel que é obrigado a representar – tendo sempre de ser responsável, estar no controle e manter a racionalidade.

A Sereia é a figura máxima da fantasia masculina porque ela representa o alívio total de todos os limites impostos pela Vida. Na presença dela, sempre exaltada e cheia de energia sexual, o homem se sente transportado a um reino de puro prazer.

Num mundo em que as mulheres são quase sempre tímidas demais para projetar esta imagem, aprender a forma precisa de controlar a libido masculina encarnando assim as fantasias dele é algo extremamente poderoso na Arte da Sedução.

O símbolo para o Tipo Sedutor Sereia é Água.

Antes de entrar em detalhes sobre as características da personalidade sedutora do tipo Sereia, preciso dizer que há 2 fatores em toda sedução que você precisa analisar e compreender muito bem:

  1. você mesmo e suas características sedutoras, e
  2. o seu alvo e as ações que penetram em suas defesas e provocam a rendição.

Bem, agora que eu já te disse estes 2 fatores, tenho de dizer algo mais: o tipo Sereia é expert e domina impecavelmente estes fatores durante a sedução.

 

Marilyn Monroe: uma Sereia Sexual

 

Antes de tudo – de tudo mesmo! – você jamais possui uma Sereia, você simplesmente a adora, a deseja.

Norma Jean Mortensen, a futura Marilyn Monroe, passou parte de sua infância em orfanatos de Los Angeles. Seus dias eram só tarefas e nada de brincadeiras. Na escola, ela se mantinha reservada, sorrindo raramente e sonhando muito.

Um dia, com 13 anos, ao se vestir para o colégio percebeu que a blusa branca que o orfanato lhe dera estava rasgada; então pegou emprestada a suéter de uma outra menina mais nova. A suéter era vários números menor que o seu.

Naquele dia, de repente, aonde quer que fosse parecia estar sempre rodeada de garotos (ela era extremamente bem desenvolvida fisicamente para sua idade). Ela escreveu no seu diário:

 

Eles olham para minha suéter como se fosse uma mina de ouro.

 

A revelação foi simples mas surpreendente. Antes ignorada e até ridicularizada pelos outros alunos da escola, Norma Jean agora percebia um jeito de conquistar as atenções, até quem sabe o poder, porque era uma garota excessivamente ambiciosa.

 

 

Ela começou a sorrir mais, a usar maquiagem, a se vestir de forma diferente. E logo percebeu algo que a deixou surpresa: sem precisar dizer nada os garotos se apaixonavam perdidamente por ela.

Nas páginas de seu diário registrava:

 

Meus admiradores diziam todos a mesma coisa, de diferentes maneiras. A culpa era minha, se eles queriam me beijar e me abraçar. Uns diziam que era o modo como eu os olhava – com os olhos cheios de paixão. Outros que a minha voz é que os fascinava. Outros diziam que eu emitia vibrações que os derrubava.

 

Poucos anos depois, Marilyn – não mais Norma Jean – estava tentando fazer sucesso na indústria do cinema. Os produtores lhe diziam a mesma coisa: ela era muito atraente pessoalmente, mas o rosto não era bonito o bastante para o cinema.

Isso mesmo, você não leu errado: Marilyn Monroe não tinha um rosto bonito suficiente para o cinema da época.

Ela fazia pontas, e quando aparecia na tela – mesmo que por alguns segundos – os homens da platéia deliravam, e os cinemas explodiam em gritos e assovios. Mas ninguém via nisto nenhuma qualidade de estrela.

O sucesso finalmente chegou, mas com ele veio algo que a incomodava profundamente: os estúdios a queriam no elenco apenas como a loura estonteante.

Ela queria papéis sérios, mas ninguém a levava a sério para esses papéis, por mais que ela abafasse as qualidades de Sereia que havia inventado.

 

 

Um dia, enquanto ensaiava uma cena para O Jardim das Cerejeiras, seu professor de teatro, Michael Chekhov, lhe perguntou: “Estava pensando em sexo enquanto fazíamos a cena?”

Quando ela respondeu que não, ele continuou: “O tempo todo enquanto representávamos eu estava sempre recebendo vibrações de sexo vindo de você. Como se fosse uma mulher dominada pela paixão. Estou entendendo agora o problema que está tendo no estúdio, Marilyn. Você é uma mulher que emite vibrações de sexo – não importa o que esteja fazendo ou pensando. O mundo inteiro já reagiu a essas vibrações. Elas saem da tela quando você aparece.”

Marilyn Monroe gostava do efeito que seu corpo era capaz de causar na libido masculina. Ela afinava a sua presença física como um instrumento, fazendo-o exalar sexo e adquirindo uma aparência glamourosa, irreal.

 

 

Outras mulheres conheciam esses mesmos truques para se tornarem mais atraentes sexualmente, mas o que diferenciava Marilyn era o elemento inconsciente.

Sua educação a havia privado de algo importantíssimo: o afeto. Assim, o que ela mais precisava era se sentir amada e desejada, o que a fazia parecer constantemente vulnerável, como uma menina pedindo proteção.

Ela emanava esta necessidade de amor diante das câmeras e isso não lhe exigia nenhum esforço, vinha de algum lugar verdadeiro e profundo de seu íntimo.

Um olhar ou gesto com que ela não pretendesse despertar desejo era duplamente poderoso ao despertá-lo só por não ser intencional – sua inocência era exatamente o que deixava um homem excitado.

 

 

A mulher não precisa nascer com os atributos de uma Marilyn Monroe para preencher o papel de Sereia Sexual.

A maioria dos elementos físicos são uma construção: a chave é o ar de inocência de uma colegial. Enquanto uma parte de você parece gritar sexo, a outra é tímida e ingênua, como se você fosse incapaz de compreender o efeito que está causando.

O seu modo de andar, a sua voz, o seu porte são deliciosamente ambíguos – você é ao mesmo tempo a mulher experiente, cheia de desejos, e a garota inocente.

 

Nada Preparou Júlio César para Cleópatra: uma Sereia Espetacular

 

 

No ano 48 a.C., Ptolomeu XIV do Egito conseguiu depor e exilar sua irmã e esposa, a rainha Cleópatra. Reforçando as fronteiras do país para que ela não pudesse voltar, ele passou a governar sozinho.

Naquele mesmo ano, Júlio César chegou a Alexandria para garantir que, apesar das lutas de poder locais, o Egito continuasse fiel a Roma.

Numa noite, César estava em reunião com seus generais no palácio egípcio, discutindo estratégias, quando um guarda entrou dizendo que havia um mercador grego esperando lá fora com um grande e valioso presente para o líder romano.

César, disposto a se divertir um pouco, deu a permissão para o mercador entrar. O homem chegou, carregando nos ombros um grande tapete enrolado.

Ele desfez o nó da corda que amarrava o pacote e com um movimento rápido dos punhos o desenrolou – revelando a jovem Cleópatra, escondida lá dentro, e que se levantou semidespida diante de César e seus convidados, como Vênus surgindo das ondas.

 

 

Todos ficaram deslumbrados com a visão da bela e jovem rainha (na época, com 21 anos apenas) aparecendo diante deles, de repente, como um sonho.

Ficaram atônitos com a sua ousadia – uma vez que fora proibida de voltar ao Egito pelo rei Ptolomeu XIV, seu marido e irmão – e teatralidade – entrando clandestinamente no porto, com um só homem para protegê-la, arriscando tudo numa atitude daquelas.

Contudo, ninguém ficou mais encantado do que César. Naquela mesmo noite, Cleópatra tornou-se amante de César.

Segundo o escritor romano Dio Cassius:

 

Cleópatra estava na flor da idade. Tinha uma voz deliciosa que não podia deixar de fascinar a todos que a ouvissem. César ficou enfeitiçado assim que a viu e ela abriu a boca para falar.

 

Antes dela, César já tivera várias amantes, para distraí-lo dos rigores das suas campanhas. Mas sempre se livrava logo das mulheres para voltar ao que realmente o emocionava: a intriga política, os desafios da guerra, o teatro romano.

César tinha visto as mulheres tentarem de tudo para mantê-lo enfeitiçado. Mas nada o preparara para Cleópatra.

Numa noite ela lhe dizia como poderiam reviver juntos a glória de Alexandre o Grande, e governar o mundo como deuses. Na noite seguinte, ela o divertia vestida de deusa Ísis, rodeada pela opulência da sua corte.

Cleópatra iniciou César nas orgias mais decadentes, apresentando-se como a encarnação do exotismo egípcio.

Sua Vida com ela era um jogo constante, tão desafiador quanto a guerra, pois, tão logo ele se sentisse seguro ao seu lado, ela esfriava de repente ou se zangava, e ele tinha de achar um jeito de reconquistar as suas graças.

As semanas se passaram. César livrou-se de todos os rivais de Cleópatra e encontrou pretextos para continuar no Egito. E enquanto ele estava no Egito, sob os feitiços sedutores de Cleópatra, longe de seu trono em Roma, explodiam os mais variados tumultos por todo o Império Romano.

 

 

Assassinado em 44 a.C., César foi sucedido por um triunvirato de governantes do qual fazia parte Marco Antônio, um bravo soldado que gostava de prazeres e espetáculos e se vestia como uma espécie de Dioniso romano.

Poucos anos depois, enquanto Antônio estava na Síria, Cleópatra o convidou para conhecê-la na cidade egípcia de Tarso.

Lá – depois de se fazer esperar – sua aparição foi tão surpreendente quanto a primeira diante de César: uma magnífica barcaça de ouro com velas cor de púrpura surgiu no rio Cidno.

Os remadores remavam ao som de uma música etérea; espalhadas por todo o barco havia belas jovens vestidas como ninfas e figuras mitológicas.

Cleópatra vinha sentada no convés, rodeada e abanada por cupidos e posando de deusa Afrodite, cujo nome a multidão gritava com entusiasmo.

Como todas as vítimas de Cleópatra, Antônio foi tomado de emoções conflitantes. Era difícil resistir aos prazeres que ela oferecia.

Mas ele também queria domá-la – derrotar aquela mulher orgulhosa e ilustre era provar a própria grandiosidade. E assim ele ficou, e, como Júlio César, foi sendo lentamente enfeitiçado. Ela cedeu a todas as suas fraquezas – jogos, festas ruidosas, rituais complicados, espetáculos luxuosos.

Para persuadi-lo a voltar para Roma, Otávio, outro membro do triunvirato romano, ofereceu-lhe uma esposa: a sua própria irmã, Otávia, uma das mulheres mais belas de Roma. Conhecida por sua virtude e bondade, ela certamente manteria Antônio longe da “prostituta egípcia”.

Bem, a manobra funcionou por uns tempos, mas Antônio não conseguia esquecer Cleópatra e, passados três anos, voltou para ela. Desta vez, para sempre.

Ele havia se tornado essencialmente um escravo de Cleópatra, concedendo-lhe imensos poderes, adotando costumes e roupas egípcias, e até renunciando aos hábitos romanos.

 

 

Uma imagem apenas restou de Cleópatra – um perfil quase imperceptível numa moeda -, mas temos hoje inúmeras descrições por escrito.

O rosto era longo e fino, o nariz um tanto pontudo; seus traços dominantes eram os olhos maravilhosamente enormes.

Seu poder de sedução, entretanto, não estava na aparência – na verdade, muitas mulheres em Alexandria eram consideradas mais bonitas que ela. O que ela possuía além das outras era a habilidade para desviar um homem do caminho.

Na realidade, Cleópatra não era nada de excepcional fisicamente  e não tinha nenhum poder político; no entanto, Júlio César e Marco Antônio, homens corajosos e inteligentes, não viram isso.

O que eles viram foi uma mulher que estava sempre se transformando diante de seus olhos, uma mulher que sozinha era um espetáculo.

Suas roupas e maquiagem variavam todos os dias; mas sempre exaltando a sua aparência, como uma deusa. A voz dela, de que falam todos os escritores, era melodiosa e inebriante.

Suas palavras podiam ser banais, mas eram pronunciadas de uma forma tão doce que os ouvintes percebiam depois que não se lembravam do que ela havia dito, mas de como ela havia dito.

Com Cleópatra aprendemos que não é a beleza que faz a Sereia, mas um toque teatral que permite a uma mulher personificar as fantasias de um homem.

Ele se cansa das mulheres, por mais belas que elas sejam; ele quer prazeres diferentes e aventura. Tudo que a mulher precisa fazer para inverter isso é criar a ilusão de oferecer essa variedade de aventura.

O homem se engana facilmente com as aparências; ele tem uma fraqueza visual. Crie a presença física de uma Sereia (um exaltado fascínio sexual combinado com modos suntuosos e teatrais), e ele está fisgado.

Ele não se cansará de você e não conseguirá de livrar de você. Mantenha as distrações e não permita que ele perceba que tudo não passa disso, afinal: uma grande espetáculo dirigido por você.

Ele, assim, a seguirá até se afogar de seu feitiço e por fim se renderá.

 

Sereia Sexual & Sereia Espetacular

 

Se é o poder sedutor que você está querendo, a Sereia é o mais potente.

Ela opera sobre as emoções mais básicas de um homem – leia-se: instintos – e se ela representar o seu papel corretamente, pode transformar um homem normalmente forte e responsável num escravo infantilizado.

A diferença fundamental entre uma Sereia Sexual e uma Sereia Espetacular é esta:

  • a Sereia Sexual tem um efeito mais imediato que a Sereia Espetacular, uma vez que ela é uma encarnação de sexo e desejo, ela não se preocupa em atrair sentidos não pertinentes ou criar toda uma montagem teatral. 

Basta lembrar das armas de sedução de Cleópatra e Marilyn Monroe. Para Marilyn sua presença já era extremamente sedutora, e Cleópatra com sua teatralidade criava toda uma atmosfera de sedução.

Como as Sereias agem sobre as emoções básicas de um homem, sua vítima mais comum é o tipo masculino rígido e racional. O intelectual é com frequência o mais suscetível à invocação de puro prazer físico das Sereias, porque isso é inexistente em sua Vida.

 

Chaves para o Tipo Sereia

 

 

Você deve se distinguir das outras mulheres. A Sereia é por natureza uma coisa rara, mítica, única num grupo; ela é um prêmio valioso a ser conquistado, custo o que custar, pelos homens.

Uma presença extremamente feminina e sexual, chegando a ponto mesmo de caricatura, logo a diferenciará, visto que as mulheres na sua maioria não se sentem seguras para projetar uma imagem assim.

Depois de se fazer destacar das outras, a Sereia deve possuir mais duas qualidades muito importantes:

  1. habilidade de fazer o homem correr atrás dela com tanto entusiasmo a ponto de perder o controle, e
  2. possuir um toque de periculosidade.

O perigo é extremamente sedutor. Conseguir que um homem a persiga não é tão difícil: uma presença altamente sexual se encarregará disso.

A noção de risco, desafio, é crucial para a sedução. Acrescenta tempero emocional e é muito atraente para o homem moderno, em geral excessivamente racional e reprimido.

 

 

O perigo está presente no mito original da Sereia. Na Odisséia de Homero, o herói Ulisses precisa passar de barco pelas rochas onde as Sereias, estranhas criaturas femininas, cantam e acenam para os marinheiros levando-os à destruição.

Elas cantam as glórias de um tempo imaginário, de um mundo como a infância, sem responsabilidades, um mundo de puro prazer.

 

 

Para proteger seus marinheiros das Sereias, Ulisses tapou-lhes os ouvidos com cera; ele mesmo se amarrou ao mastro para poder escutar as Sereias e continuar vivo para contar a história – um estranho desejo, visto que o emocionante é ceder à tentação de seguir as Sereias.

Assim como na história de Homero, atualmente com frequência um homem se arruína por causa de uma Sereia, mas mesmo assim não consegue se afastar dela. Haja visto, muitos homens com poder possuem um traço masoquista.

As Sereias costumam ser fantasticamente irracionais, o que exerce uma atração imensa nos homens oprimidos pela própria sensatez.

 

Combinações de Qualidades de uma Sereia

 

A – VOZ

  • possui grande poder sugestivo,
  • recorda habilidades da voz maternal (acalmar / excitar), e
  • o tom de voz deve soar como se ainda não esteja bem acordada, ou tenha se levantado da cama a pouco.

B – CORPO E ADORNOS

  • se a voz embala, o corpo e os adornos deslumbram,
  • criar o efeito de uma deusa,
  • tudo deve ser deslumbrante, mas também harmonioso, de tal forma que um só adorno não se destaque chamando atenção, e
  • o ornamento deve ser usado para enfeitar e distrair.

C – MOVIMENTO E ATITUDE

  • você deve ter um jeito lânguido, como se tivesse todo o tempo do mundo à sua disposição para o amor e o prazer.

 

Riscos

 

São 2 os riscos principais a que uma Sereia deve estar atenta:

  1. a atenção que ela atrai pode se mostrar muito irritante. Ela pode querer se livrar da situação, desejando não chamar apenas atenção sexual, e
  2. infelizmente a beleza física acaba, e embora o Efeito Sereia depende não de um rosto bonito, mas de uma impressão geral, depois de uma certa idade fica difícil projetar esta impressão.

 

 

Saiba mais sobre os outros Tipos Sedutores através dos endereços abaixo:

[Arte da Sedução] Tipo 2 – Libertino

[Arte da Sedução] Tipo 3 – Amante Ideal

[Arte da Sedução] Tipo 4 – Dândi

[Arte da Sedução] Tipo 5 – Natural

[Arte da Sedução] Tipo 6 – Coquete


4 Comments:

  1. Muito bom o Tópico irmão,Parabens.!!

    • Valeu Daniel.
      Obrigado pelo seu comentário, e te convido a sempre deixar seu comentário, crítica e ponto de vista, beleza?
      #compartilhe
      Grande abraço!

  2. Olá, Wesley.
    Gostaria de usar a imagem de sereia para um vídeo de música. Você permite?

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