A História de Eco & Narciso


Narciso ou O Auto admirador, na mitologia grega, era um herói do território de Téspias, Beócia, famoso por sua beleza e orgulho.

Na série organizada aqui no site sobre a Arte da Sedução, vimos que o Tipo Sedutor 6 – Coquete possui um forte fator narcisista em sua persona sedutora. Por isso, decidi fazer uma postagem exclusiva para contar um pouco de onde veio a expressão “narcisista”… E pra gente entender melhor, afinal, o que é uma pessoa narcisista.

Vários mitos, enfim, cercam a história de Narciso. A que irei te apresentar abaixo é a contada por Ovídio em “Metamorfoses“.

 

 

Segundo Ovídio, Narciso era um rapaz plenamente dotado de beleza. Seus pais eram o deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope.

Dias antes de seu nascimento, seus pais resolveram consultar o oráculo Tirésias, para saber qual seria o destino do menino…

 

 

Quando chegou a sua hora, a ninfa mais bela trouxe uma criança pela qual podia apaixonar-se ainda no berço, e lhe chamou de Narciso. (…)

O filho de Cefiso estava com dezesseis anos e naquela fase entre homem e menino. Muitos rapazes e moças se apaixonavam por ele, mas o seu corpo macio e jovem abrigava um orgulho tão inflexível que nenhum desses meninos e meninas ousavam tocá-lo.

Um dia, ao conduzir um cervo tímido para as suas redes, ele foi avistado por aquela ninfa tagarela que não consegue se calar enquanto o outro fala, mas que ainda não aprendera a falar em primeiro lugar.

Seu nome é Eco, e ela sempre replica. (…)

Assim, ao ver Narciso vagando pelos campos solitários, Eco se apaixonou por ele e, às escondidas, o seguiu.

 

 

Quantos mais ela se aproximava, mais perto estava o fogo que a queimava; assim como o enxofre, jogado sobre as tochas, rapidamente se incendeia com a proximidade da chama.

Quantas vezes ela desejou lhe fazer propostas elogiosas, abordá-lo com doces pedidos!

Acontece que o rapaz havia se afastado de seus fiéis camaradas, e gritou: “Alguém está aqui?” Eco respondeu: “Aqui?”

Narciso parou atônito, olhando ao redor. (…)

Olhou para trás, e como ninguém apareceu, gritou novamente: “Por que me evitas?” Mas só ouvia as próprias palavras.

Mesmo assim insistiu, iludido pelo que achava ser a voz de outra pessoa, e disse: “Vem aqui, vamos nos conhecer!” Eco respondeu: “Vamos nos conhecer!” Nunca mais ela responderia com mais vontade a um som.

Para fazer valer as suas palavras, ela saiu do bosque e tentou abraçar o amado, mas ele fugiu dela, gritando: “Não me abraces!” (…)

Assim desprezada, ela se escondeu no bosque, ocultando em meio às folhas o rosto envergonhado, e desde então mora em grutas solitárias, de onde sai apenas raras vezes para fazer tímidas caminhadas por algum vale.

Mas mesmo assim seu amor por Narciso continuava firme em seu coração, e crescia com a dor de ter sido rejeitada. (…)

 

 

Narciso brincara com seu afeto, tratando-a como havia tratado antes outros espíritos das águas e dos bosques, e seus admiradores do sexo masculino também.

Então um desses que ele havia desprezado ergueu as mãos aos céus e pediu: “Que ele se apaixone por outro, como nós nos apaixonamos por ele! Que ele também seja incapaz de conquistar a pessoa amada!”

Nêmesis ouviu e lhe concedeu o pedido. (…)

Narciso, cansado de caçar no calor do dia, deitou-se à beira de um lago de águas límpidas: pois se sentiu atraído pela beleza do lugar, e pela primavera.

 

A Paixão de Narciso

Enquanto tentava aplacar a sede, outra sede surgiu dentro dele e, ao beber, encantou-se com a bela imagem refletida nas águas.

Ele se apaixonou com uma insubstancial esperança, confundindo uma simples imagem com um corpo real. Fascinado si mesmo, ali ficou imóvel, com o olhar fixo, como uma estátua esculpida em mármore de Paros…

Inconscientemente, ele se desejava, e ele mesmo era o objeto da sua própria aprovação, ao mesmo tempo desejando e desejado, ele mesmo alimentando a chama em que se queimava.

 

 

Quantas vezes inutilmente beijou o traiçoeiro lago, quantas vezes mergulhou os braços nas águas, ao tentar segurar o pescoço que via!

Mas ele não podia segurar a si mesmo. Ele não sabia o que procurava, mas estava inflamado pela visão, e excitado pela ilusão que enganava seus olhos.

Pobre rapaz tolo, por que agarrar inutilmente a imagem fugaz que o ilude? O que você busca não existe: vire-se e perderá o que ama.

O que você vê não passa de uma sombra do seu reflexo; em si não é nada. Ela vem com você e dura enquanto você estiver ali; desaparece quando você se vai, se conseguir ir. (…)

Ele deitou a cabeça cansada na grama verde, e a morte cerrou-lhes os olhos que tanto admiraram a beleza de seu dono.

Mesmo assim, enquanto era recebido na casa dos mortos, continuava se olhando nas águas do Estige.

Suas irmãs, as ninfas da primavera, choraram por ele, e cortaram o cabelo em homenagem ao irmão. As ninfas da floresta também choraram por ele, e Eco cantou o seu refrão ao lamento delas.

A pira, o lançamento das tochas e a cerveja, tudo estava sendo preparado, mas seu corpo não se encontrava em lugar algum.

Em vez dele, acharam uma flor com pétalas brancas rodeando um centro amarelo.

 

 

 

Saiba mais sobre cada um dos Tipos Sedutores através dos endereços abaixo:

[Arte da Sedução] Tipo 1 – Sereia

[Arte da Sedução] Tipo 2 – Libertino

[Arte da Sedução] Tipo 3 – Amante Ideal

[Arte da Sedução] Tipo 4 – Dândi

[Arte da Sedução] Tipo 5 – Natural

[Arte da Sedução] Tipo 6 – Coquete

 


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